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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Sonhos...




-Vale Sagrado dos Incas " Machu Picchu "
Foto Google


Noite fria de outono, um céu de um azul escuro, quase preto, com algumas pontinhas que brilham como se fossem vagalumes, e que seguem comigo por esse caminho que trilho às escuras mas que de certa forma eu conheço tão bem. Bateu vontade de sentir esse cheiro do mato, fresco, molhado pelo sereno da noite que banha a relva a ponto de molhar os meus pés, que à essa altura se sentem cansados dessa longa caminhada.
Venho aqui hoje em busca de descanso, de paz, não apenas pelo corpo cansado, mas em especial pela minha alma, outrora tão límpida , tão pura, quando eu ainda trazia comigo a pureza e a ingenuidade de uma criança, já faz tanto tempo, que a contagem dos dias se tornam desnecessárias, deixo que as marcas deixadas contem, elas sabem bem mais do que eu.

Daqui avisto o vale lá em baixo. Pequenos pontos marcam a existência de vida naquele lugar que vendo daqui, me parece tão longe. É como olhar o infinito, e ali imaginar um mundo novo, a renascer da escuridão, e de tudo aquilo que existe de bom  nesse mundo.

Esse vento frio parece cantar enquanto passa por mim, uma melodia suave, e única. Em uma prece silenciosa, peço a ele que leve toda essa tristeza que sinto e que teima em me atormentar, embora...Meus sonhos mortos teimam em reviver. Sinto que querem renascer das cinzas como se 
uma Fênix fossem,  tangem meus sentimentos mais íntimos, exultando-os para que se rebelem aqui dentro do meu coração, trazendo de volta toda aquela melancolia, velha conhecida, que sempre pacientemente, permanece querendo me roubar a paz que tanto luto para conseguir. O silêncio vem compartilhar comigo as lembranças que trago, hora felizes como o cheiro da infância, seus gostos, suas marcas deixadas através dos tempos que são como histórias contadas em uma roda de crianças...Ouço risadas ao longe trazidas pelo vento. Vejo imagens amareladas pelo tempo como se um filme fossem, passando diante dos meus olhos. Gosto doce, como aqueles bolos lindos que a minha saudosa tia Neide fazia nos meus aniversários.

Impossível não trazer à tona o afago quente daqueles abraços que tanto me fazem falta. Sentindo esse vento frio, me transporto naquele abraço quente, macio,  que eu tanto sonhava em sentir ao menos mais uma vez...

Fecho os olhos e sinto o milagre da vida se mexer sob minhas mãos. Aquele milagre que eu não gerei, mas que sempre foi um sonho que eu tento ainda extinguir aqui dentro de mim. 

Sinto saudade de mim.

Sinto saudade daquilo que eu não conheço, e daquilo que eu não vivi. Desejos que eu julgava extintos, renascem a cada instante, como agora, em que fecho os olhos e sonho com a felicidade.

Sinto saudade de tudo aquilo que vivi, e até que ainda sonho em viver. Saudade da vida, das cores, do meu rosto que já foi um dia tão alegre e feliz! Saudade daquele tempo em que a alegria estava ao alcance das minhas mãos!

Saudade do folhear de um livro, porque faz tanto tempo que eu deixei de viver nas histórias que eu me esqueci dos finais felizes...

Saudade daquela garota e mulher sonhadora que eu tento  trazer de volta a cada vez que venho aqui !

Já é tarde e a noite se torna ainda mais bela. Faz mais frio, e eu começo a fazer o caminho de volta para casa. Trago comigo a certeza de que tenho feito a coisa certa ao tentar ser feliz e ainda continuar a acreditar na beleza e na delicadeza da vida, mantendo a esperança junto ao meu caminhar, trazendo sempre um sorriso nos olhos, e muito amor no meu coração!!!


..." No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas que o vento não consegue levar:
Um estribilho antigo
Um carinho no momento preciso
O folhear de um livro de poemas
O cheiro que tinha um dia o próprio vento " ...

- Mário Quintana -

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

OUTRO TEMPO

Imagem: Google

Desde criança  ouvia os adultos dizerem que a morte é a única certeza que temos na vida, cresci  e infelizmente perdi pessoas que foram e são, muito importantes na minha vida. Tais perdas vieram a confirmar, o que eu já sabia: De que sim, a morte faz parte da vida.
Longe de querer escrever um texto triste, apenas constato e comparo com essa afirmação, de que nada na vida é definitivo.
Seres imperfeitos que somos, vivemos em busca da tão sonhada felicidade. Fazemos nossas escolhas já certos de que planos podem ser mudados durante o percurso, e o que se julga definitivo, toma outro caminho, segue por outra bifurcação nessa estrada que é a vida.
Sentimentos outros, tomam de assalto o coração, por vezes já machucado, cansado, e decepcionado perante a não realização daquilo que tanto sonhou e idealizou. Esse mesmo coração de repente se vê diante de um novo amanhecer,  se enche de esperanças  e de repente vem a certeza de que pode sim trilhar novos rumos, buscando curar suas feridas, e também sair na busca incansável por conhecimento, crescimento, e acima de tudo: Amadurecimento, porque não?
A gente sofre, se magoa, se entristece, mas depois da tempestade o sol brilha novamente, e a vida milagrosa, sob a regência do Grande Mestre, renasce, e grandiosa nos dá novo ânimo, força, coragem e acima de tudo: Esperanças!
Que venha então vida nova, novos tempos, certa de que somos viajantes nessa estrada,  e tudo que vivemos se transforma na grande bagagem que levamos pela vida.

" Não tenha medo da tristeza, ela não tem o poder de roubar a felicidade, ela vai do mesmo jeito que vem. 
Você fica.

- Padre Fábio de Melo - 


domingo, 18 de janeiro de 2015

Recomeço

Imagem: Google
                      Daqui a pouco faço aniversário novamente, e lá se vai um ano em que estive aqui pela última vez... Triste constatação, a julgar pelo fato de que adoro escrever, criar, estar em contato com outras pessoas através do blog e fazer daqui aquele meu canto preferido. Infelizmente  a vida passa célere, e o tempo, senhor de tudo e de todos, nos leva com ele,  assim, sem que a gente veja e possa de alguma forma esboçar qualquer reação.
             Vivemos em um mundo que nos empurra a cada instante um amontoado de tecnologia, informações, receitas de como viver uma vida mais fácil, mais feliz, receitas instantâneas e mágicas de bem viver, tratados homéricos de como ser extremamente feliz em um mundo interligado pela alta tecnologia e pela facilidade de comunicação que esse mundo nos dá.
                 A sociedade contemporânea tenta seguir esse modelo enlatado de vida, um emaranhado de inutilidades e futilidades diante da vida, efêmera, singela, e tão breve...Aqueles momentos de alegria, são deixados para trás e deixamos de dar importância a aqueles almoços de domingo em família, deixamos de dar aqueles abraços apertados e tão gostosos, esquecemos de pessoas tão importantes em nossas vidas deixando de dizer a elas o quanto são importantes, especiais, e o quanto as amamos...deixamos de dar importância a quem verdadeiramente importa, por vezes deixamos de ser gente, de agir como gente, no imediato da vida viramos ilhas, daquelas desertas, bem no meio da imensidão infinita do oceano. 
E é o que a vida se torna: Um oceano repleto de ilhas!
             Mas creio bem lá no recôndito da minha alma, que tanto eu quanto você, podemos ser responsáveis por uma mudança: Deixando de ser ilha. Abrindo o coração para o que verdadeiramente importa, valorizando as pessoas que tanto amamos e por vezes deixamos de lado esses sentimentos e mostrando ao outro o quanto ele é essencial  nesse todo que somos  cada um de nós.

Hoje eu quero a paz habitando aqui dentro do meu coração. 
Qualquer sentimento contrário é totalmente dispensável.
Uma porção de levezas, é o que eu desejo,
é o que cabe. 






segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

41 Anos...

Foto By Volnei Almeida

Enfim consigo chegar até aqui, meus pés estão cansados e empoeirados da longa caminhada, que bom poder tirar os sapatos e deixar que eles descansem em pouco, melhor ainda é me sentar de frente para esse mar lindo que eu não me canso de contemplar e esquecer nem que seja por pouco tempo, da vida e de tudo que venho trazendo comigo por esses dias, sinto meus ombros pesados, cansados da rude  caminhada,e como disse o maior de nossos poetas em um dos seus mais belos poemas : " ...Teus ombros suportam o mundo, e ele não pesa mais do que a mão de uma criança"...

Foram meses de espera até que eu conseguisse vir aqui, levada pelos afazeres do dia a dia e da rotina que nos consome, meus dias foram levados pelo tempo sem que eu mesma me desse conta de que tanto tempo havia passado. Todos os dias pensava e tecia idéias para uma boa conversa, mas logo aquela dia ia embora sendo sucedido por outro e outro e nada me tirou daquela bola de neve que se tornaram os meus dias, acabou-se o ano, já é fevereiro, e já é Carnaval novamente, um ano se passou e eu já completo mais um ano de vida.

41 anos! Impossível não me assustar com a rápida passagem do tempo...me recordo como se fosse hoje das minhas brincadeiras aqui, das tantas e tantas vezes que me sentei aqui, exatamente aqui para contemplar a vida que vejo saltar como um milagre dessas águas calmas e tão límpidas...Saudades das minhas garrafinhas e das mensagens que eu escrevia e colocava dentro delas, nostalgia pura...tentava jogá-las  na maior distância que eu conseguia, para que elas viajassem para bem longe rumo ao infinito que é esse mundo tão lindo. Saudades de mim mesma e daquela mulher de outrora, sonhadora, um tanto ingênua demais, romântica, idealista que ainda acreditava muito na humanidade, repleta de esperanças na certeza de ainda ver um mundo melhor um dia.

A noite aqui é brilhante...Nesse cenário onde eu sempre fui tão feliz, a vida se renova a cada amanhecer, a cada dia que nasce uma nova surpresa, uma oportunidade única de fazer de cada receio, um novo ponto de partida... tudo de puro e simples está aqui,  guardado como um tesouro  no recôndito da minha alma, pois pouco ficou da beleza em que eu via o mundo e as pessoas, ficou a incredulidade, em algumas vezes a decepção, sentimentos que travam uma luta constante aqui dentro com a fé que eu ainda tenho em mim e nos outros.
 O barulho das águas me trazem a vontade de ficar aqui para sempre. Ouço risos ao longe que me confundem com as lembranças de pessoas que eu tanto amei e que fazem parte de minha história...é só fechar os olhos que vejo, ouço, e sinto o cheiro bom daqueles tempos! Aniversários comemorados com os bolos deliciosos e lindos feitos pela minha tão querida e saudosa Tia Neide, ela era a festa! É como se o tempo não tivesse passado, até o gosto ficou,  acompanhado pela saudade que faz doer e faz com a gente sempre se pergunte porque temos que nos separar daqueles que amamos, ainda bem que existem as lembranças, essas são minhas, verdadeiro tesouro que levarei para sempre comigo aonde eu for.

A brisa fria acaricia o meu rosto, e traz com ela aquele cheiro gostoso que só o mar tem, grandioso, majestoso e ao mesmo tempo frágil, e tão belo, como cada grão de areia dessa praia, partículas quase invisíveis que formam esse todo sem fim como os sentimentos de cada um de nós!

Essa imensidão me traz esperança de que encontrarei pelos meus caminhos coisas lindas, sentimentos verdadeiros, vontade de realizar meus sonhos, saúde e bom ânimo, trabalho, amigos verdadeiros, que sejam poucos, mas verdadeiros, e de que terei comigo pelo tempo que tiver de ser, as pessoas que eu tanto amo!

Chegar aos 41 anos é um presente, daqueles bem especiais, que somente alguém tão especial como DEUS é capaz de me presentear, peço a Ele nesse instante misericórdia e tolerância, que Ele em sua sabedoria possa sempre me mostrar o melhor caminho a seguir, somos aprendizes nessa escola da vida e ninguém nunca está pronto, estamos sempre em eterno aprendizado, peço a Ele que me ajude a ser uma boa aluna, que eu tenha perseverança, e muita humildade.

Agora preciso voltar para casa, vou calçar meus  sapatos, mais descansada leve e feliz!


 "E a cada passo que dou uma nova surpresa. ando encontrando coisas lindas pelo caminho, flores de delicadeza. E há quem chame isso de sorte ou de destino.
Mas eu prefiro chamar de Deus. "
- Padre Fábio de Melo - 

sábado, 18 de maio de 2013

Divagações...

Imagem: Google

Ao entrar aqui no blog tomei um susto: Tem mais de um mês que eu não faço uma postagem nova!
O que a falta de tempo faz com a gente! Vai adiando, amanhã eu faço, depois, e quando eu vi, já se passou um tempão. Curioso é a vontade que fica me chamando para vir escrever, um monte de idéias emaranhadas na cabeça que ao se depararem com a tela em branco simplesmente desaparecem, deixando esse vazio e essa sensação horrível de sem saber por onde começar...

O tempo segue célere, e a vida efêmera, segue com ele, indo os dois muito rápidos deixando para trás  os desavisados, aqueles que ousam desafiar a exatidão da vida e as incertezas do tempo.

Tenho andado mais distraída do que o costume, repleta de idéias, esperando que elas aconteçam...perco-me em pensamentos várias vezes ao dia, com mil coisas para fazer e não conseguindo realizar sequer uma pequena parte delas. Com uma vontade louca de por minha alma para fora, e mostrá-la ao mundo, mais ela tem vontade própria e está muito mais recolhida no meu ser do que sempre esteve. Quieta, só, repleta de coisas boas, querendo sim crescer e brilhar mais do que nunca, porém ser saber qual dos caminhos seguir...e são tantos os caminhos! A impressão que eu tenho é que ela sente saudade de onde veio.

Há de se pensar que esse é mais um texto melancólico, repleto de tristezas e amarguras, mas não é. Ao vê-lo crescer e tomar forma sei que ele é um texto repleto de amor, esperanças temperado com uma pontinha de indignação, porque não? Indignar-se é para os mais fortes e puros de coração, aqueles que resguardam suas idéias lá no fundo e na hora certa as colocam para fora sem medo, e repletos de sonhos, ousam sonhar, porque não?

Chove lá fora. Como me disse um amigo um dia: " É a chuva, lavando a terra e a alma dos homens"...Ao som do silêncio, acompanhada pela saudade, eu sigo adiante tentando parar de fazer perguntas e ao mesmo tempo imaginar as suas respostas, parar, sentir deixar o coração simplesmente me contar o que ele sabe, e ele conta, com uma sabedoria única, de quem já viveu muitas vidas, esteve em muitos lugares, e teve sempre que sobreviver e seguir adiante, convivendo sempre com as lembranças de outrora. Na verdade, acho que todos nós de uma maneira ou outra, temos que conviver com as lembranças do passado. Ter saudade daquilo que já viveu, outras vezes não. E um tanto quanto complexo: Sentir falta do que não viveu. Muitos sonhos, muitos planos deixados para trás, uma montanha enorme de sentimentos acumulados e não vividos que poluem a atmosfera em que vivemos simplesmente porque deixamos de fazer aquela faxina dentro de nós mesmos...Deixar o coração falar é deixar para trás tudo aquilo que não me serve mais, até mesmo idéias e sentimentos que de tão velhos e esquecidos já nem nos lembram mais de onde vieram e de que são feitos.

Sim, vale a pena "nós" nos lembrarmos de que somos feitos, para que a gente não se esqueça nunca que somos feitos daquilo que é mais puro e único no mundo que é a vontade de seguir adiante, com a pureza de coração, alma límpida e corajosa, como o orvalho tímido e solitário que nasce a cada amanhecer, e fortes como as ondas do mar que ao se quebrarem na areia fazem de cada recuo um novo ponto de partida.

" A saudade é a nossa alma, dizendo para onde ela quer voltar" 

Rubem Alves

quarta-feira, 27 de março de 2013

Amor, apenas amor.


Foto Google

A noite ainda traz o friozinho que a chuva que caiu durante o dia deixou. Um friozinho gostoso, intimista, diria melhor:  Aconchegante.
É é assim que eu me sinto neste instante: " Aconchegada" no meu mundo, no meu cantinho, assim, bem dentro de mim mesma, na minha alma.

Há dias quero falar/escrever sobre o amor. Em suas diversas formas, ele vem conduzindo, moldando, e mudando a humanidade desde o início dos tempos...Muito se fez e se faz em nome do amor. No mundo contemporâneo, o amor chega a ser um sentimento quase casual, esquecido o romantismo, o amor foi substituído pelo sexo em sua ânsia pela liberdade individual na procura de uma felicidade  ilusória, diga-se momentânea, sem raízes, apenas  gotas de felicidade que são levadas pelo vento...

O que eu sei do amor? Nada absolutamente nada. Só sei sentir.

O conheci já na maturidade, sem grandes experiências anteriores, esperei a vida toda pelo príncipe encantado, montado em seu cavalo branco, que viria me buscar para vivermos juntos um grande amor, tal qual as histórias de romance dos livros.  Afastada de casualidades, sempre quis o verdadeiro,aquilo que eu ao olhar para trás poderia dizer  que valeu a pena. Vi as amigas da minha idade se casarem terem seus filhos, construírem as suas vidas, se  decepcionarem, e assim viverem infelizes até hoje. Muitas vezes me perguntei onde será que elas erraram? Mas será que erraram mesmo? Uma pessoa erra ao depositar no outro os seus sonhos de felicidade? Acredito que muitos diriam que erram sim. Eu já acho que não. 

Falando  de amor me recordo do Poeta Homero, em " A Ilíada" (1200a.C - 1300a.C.). Lendárias ou não, as narrativas homéricas em " A Ilíada" narram a história de amor da Princesa Helena de Esparta, esposa do temido Rei Menelau, e de Páris, Príncipe de Tróia, filho do Rei Príamo, que ao visitar Esparta em uma viagem diplomática, se apaixona por Helena e a traz consigo para Tróia, dando início assim a tão famosa     " Guerra de Tróia"...A guerra durou 10 longos anos e foi uma história de amor que não deu certo assim como tantas outras que nós vemos por aqui, sabe porque? Príncipes encantados em seu cavalo branco  e princesas não existem,o que não nos impede de sonhar com um amor verdadeiro,  que nos traga a tão sonhada felicidade.

Como eu mencionei acima, nada sei do amor. Só sei mesmo sentir. E sinto, amo, vivo o amor que eu tenho com toda a verdade e força que me é capaz. Sonho sim, não com o príncipe encantado, rs, mas com a felicidade que me é possível ter e sentir. Sonho amar mais e mais e tê-lo por toda a minha vida. Quero continuar vivendo esse amor além da morte porque sim, eu acredito na eternidade. Assim como acredito na fidelidade dos nossos sentimentos e do quanto somos importantes um  para o outro. A vida não dá trégua e nem sempre a gente consegue viver com todo aquele romantismo, mas sempre digo " eu te amo" que é para ele não se esquecer o quanto ele é importante para mim, pois meu amor é infinito...

Espero poder daqui alguns anos ao olhar para trás, revivermos os doces e tão preciosos momentos de outrora, cada toque, cada olhar, cada emoção, cada vez que nos demos as mãos, ou que nos beijamos, a cada vez que "sentimos" o quanto nos queremos bem e nos amamos. E juntos podermos dizer um ao outro que sim, valeu a pena...

" A GENTE NASCE E MORRE SÓ.
E TALVEZ POR ISSO MESMO É QUE SE PRECISA TANTO VIVER ACOMPANHADO "

- Rachel de Queiroz -

terça-feira, 5 de março de 2013

40 anos...

Foto By Volnei Almeida

Não me canso de dizer o quanto a rápida passagem do tempo mexe comigo. Quem me conhece com certeza já ouviu comentários meus a esse respeito. Ela exerce um certo fascínio, algumas vezes incomoda porque ele vai levando tudo e quando a gente vê já era, porque por mais incrível que pareça a gente nunca consegue acompanhar o tempo...

É inevitável não pensar mais uma vez na rápida passagem do tempo, no dia em que se comemora 40 anos...

Nasci no dia 25 de fevereiro de 1973, um domingo, as 08:40 da manhã, na Santa Casa de Misericórdia aqui de Barra Mansa. 

Desde pequena já trazia comigo as paixões que carrego até hoje, muito apegada a família, e as outras pessoas tais como amigos, eterna sonhadora,  apaixonada por música, e pelo mar...Desde criança trago comigo a incompreensão pelas coisas do mundo e por aquilo que por mais que eu tentasse entender eu não conseguia, deixei de ser criança muito cedo, e a adulta que vivia aqui dentro desabrochou  convivendo com as dificuldades enfrentadas pela minha família, o amor pelos pais e os outros dois irmãos menores, a tristeza de ter que ir morar em outra cidade deixando para trás os parentes maternos que eu tanto amava, e a saudade daqueles que eram tão importantes para mim.

Curioso é relembrar tantas coisas e ver que está tudo aqui ô, guardadinho, direitinho,e que quase nada foi esquecido,  na verdade não gostaria de guardar tantas coisas assim não, são gostos, sabores, cheiros, risos, choros, cores.... Graças a Deus cresci trazendo comigo o discernimento para saber separar o certo do errado, as coisas boas das coisas ruins, e acima de tudo um caráter transparente moldado pelos exemplos dados pelos meus pais e a simplicidade do meu tão amado e saudoso Vô Tatão.                                Porque será que as pessoas que amamos nos deixam tão cedo?
É uma pergunta que eu vivo me fazendo. Porque será que a vida é assim, tão efêmera, tão frágil, tão singular    e tão bela? Um sopro em uma manhã de sol radiante, um mar de ondas calmas e eternas. Infelizmente, a vida contemporânea abrevia os momentos bons, a gente deixa de dar um bom dia, de dar um abraço, deixamos de dizer as pessoas que amamos o quanto as amamos e o quanto elas são importantes para nós. Nos perdemos em coisas tão sem importância, mesquinharias, brigas por nada se comparadas diante da vida e da morte.

É bom recordar o passado. É bom ter comigo as tão boas e únicas lembranças de outrora.

Aos 40 anos refaço meu caminho. Percorro novamente as estradas pelas quais passei, os caminhos que trilhei, os atalhos que peguei, muitas vezes cheios de incerteza e medo e que por misericórdia de Deus me trouxeram mais uma vez a estrada principal.Revejo todos aqueles que estiveram comigo, aqueles que caminharam lado a lado, outros que por mim passaram ou eu por eles passei deixando apenas um breve adeus, certos de que ali na frente nos encontraríamos de novo. Caminhos repletos de pedras, obstáculos  sinuosos que atrasam a viagem, mas que de certa forma me tornam mais forte. Olho para os lados e vejo os que estão comigo, hoje tão poucos, mas tão amados que por eles eu vivo e continuo adiante nesse caminho que é a vida.

Mesmo passado do dia 25 de fevereiro, não poderia deixar de postar sobre os meus 40 anos, mas infelizmente apenas hoje consigo vir aqui e escrever.Foi um dia muito triste porque Deus em sua infinita bondade e sabedoria nos tirou uma pessoa que amávamos muito... Esperei tanto por essa data, fiz tantos planos, tive tantos sonhos,tantas esperanças que ao fazer os 40 anos renovo tudo isso: Os meus sonhos, os meus planos e as minhas esperanças!

" Uma vez que você tenha experimentado voar, você andará pela terra com os seus olhos voltados para o céu, pois lá você esteve e para lá você desejará voltar. "
- Leonardo Da Vinci -

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Saudade

Imagem Google

Ainda me surpreendo com a quantidade de datas comemorativas que se inventam por aí. Tem dia para tudo, é só a gente procurar o que se comemora no dia de hoje que a gente vai achar uma comemoração da qual nunca se ouviu falar. Bom, dessa vez a minha surpresa ficou no dia 30 de janeiro. Navegando em badalada rede social, descobri que nesse dia, comemora-se o " Dia da Saudade ".

Logo pensei: " Caramba tem Dia  da Saudade e eu não sabia? "


"Saudade " segundo o dicionário quer dizer: " Mistura dos sentimentos de perda, falta, distância e amor. A palavra vem do latim " solitas, solitatis " ( solidão), na forma arcaíca de " soedade, soidade e suidade e sob influência de "saúde" e "saudar". É uma das palavras mais presentes na poesia de amor da língua portuguesa e também na música popular. " Saudade " só é conhecida em galego e português, e é de difícil tradução.

A muito tempo atrás, estudando gramática na escola, descobri que a palavra saudade só existe em português, e na época nem dei importância alguma a essa informação. Os anos foram passando e se eu fosse me definir hoje acho que eu me chamaria "saudade". É na minha opinião, uma das mais lindas palavras da língua portuguesa, carregada de um sentimento tão grande, tão amplo, que se torna mesmo difícil de traduzir, de explicar. Em um dos episódios mais vergonhosos da História da Humanidade, os negros trazidos da África sofriam de Banzo, doença caracterizada pelo sentimento de melancolia, saudade e tristeza, em relação a terra natal e de aversão a privação da liberdade praticada com a população negra no Brasil, na época da Diáspora Africana.  

Não resistiam a saudade da sua terra e morriam.

Eu sinto saudades de tantas pessoas, e de tantas coisas...é impressionante como esse sentimento faz parte da minha vida, da minha alma. Sinto saudade daquilo que eu não conheço, como se faltasse algo aqui dentro, um vazio que eu não consigo preencher...Esses dias sonhei com a minha tão amada e saudosa Tia Neide, ela fazia um doce de cocô  delicioso, e no sonho ela estava fazendo o doce. Parecia tão  real, que senti aquele cheiro tão familiar, guardado lá nas entranhas do meu ser, blindado por tantas recordações, tantos momentos bons, risadas gostosas regadas com muito amor e carinho. Isso é saudade. Sentimento que doí, as vezes até machuca. Por outro lado, agradeço a Deus por sentir sim, tanta saudade, e trazer comigo tanto sentimento...

Sinal de que não estou passando por essa vida em vão.

E as datas comemorativas continuam: Hoje 14 de Fevereiro é o Dia da Amizade e o Dia dos Namorados lá nos EUA.



" O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo ".
- Mário Quintana - 

domingo, 30 de dezembro de 2012

Antigo


Às vésperas do último dia do ano é impossível não fazer  dentro de nós mesmos aquela velha retrospectiva não é  mesmo? Eu especialmente,  reviro o meu baú de recordações e fico remoendo o passado, o que eu fiz ou deixei de fazer, sinto saudades daquelas pessoas que passaram por mim e que de alguma maneira já não estão mais aqui, recordo-me de momentos especiais dos quais seria impossível esquecer e assim me preparo para mais um ano que está ali ó, atrás da porta.

Dia desses assisti pela tv o especial de fim de ano do Roberto Carlos. Não posso deixar de mencionar que passei a gostar do Roberto Carlos há pouco tempo, cresci ouvindo suas músicas, mais fui tocada por elas já adulta, mantinha uma certa distância e me recusava sequer a ouví-lo, tudo isso porque suas músicas me emocionavam demais. Esse ano foi por acaso que ao ligar a tv o especial estava começando, e lá fiquei assistindo o "Rei " e todas as suas "emoções".  Me espanta reconhecer que de fato ele tem muitos fãs, fãs de verdade que tiveram suas vidas marcadas pela trilha sonora composta e cantada por ele, não importa  que suas músicas sejam antigas, ou sejam atuais, fato é que quanto mais velho ele fica, melhor ele fica e essa constatação me fez recordar de um senhor que conheci há alguns anos... 

Pouco sei da sua vida, nos vimos algumas poucas vezes ao sermos vizinhos de uma casa na praia. Nos encontrávamos todas as manhãs enquanto eu ia muito cedo tomar meu banho de mar e ele fazer suas caminhadas. No auge dos seus 75 anos, era um senhor vigoroso, forte e muito bem disposto, que adorava conversar e nos presentear com a sua sabedoria de vida. Eu adorava conversar com ele e era com alegria que o recebia quando ele se sentava ao meu lado na areia. Em uma dessas conversas ele me perguntou se eu sabia a diferença do "velho" e do "antigo", eu disse que não, então ele me disse: Tudo que é velho a gente quer se desfazer jogar fora, não é mesmo? Já o antigo é diferente. O antigo tem  algum valor pra gente, muitas vezes valor sentimental, marcado por uma ocasião ou uma canção, uma pessoa especial ou um lugar, situações que nos fazem de alguma forma nos emocionar...do antigo a gente não se desfaz, porque mesmo sendo já antigo ele tem seu lugar guardado dentro dos nossos corações e por sem assim, quanto mais antigo é, melhor fica. 

Ao reler essas palavras paro aqui e penso: Gente que conexão louca essa que eu fiz! Mas vai saber o porque eu fui lembrar desse senhor que eu não vejo há tantos anos ao ver o especial do Roberto Carlos?  Ele já era antigo, talvez seja por isso que trago a sua lembrança guardada com tanto carinho...

E daqui a pouco é Ano Novo.

Vou tirar as sandálias velhas e já cansadas maltratadas pela poeira e pelas pedras do caminho. Descansar meus pés cansados e por vezes machucados. Me refazer após enfrentar tantos obstáculos, porque daqui a pouco começa tudo novamente: É fazer a curva na estrada e seguir adiante.

" Feliz Ano Novo" !


" Uma pilha de pedras deixa de ser uma pilha de pedras no momento em que o homem  a contempla, trazendo dentro de si a imagem deuma catedral"
- Saint - Exupéry -







sábado, 15 de dezembro de 2012

Começo

 Foto: Google

Ao chegar aqui sinto uma sensação de familiaridade. Me sinto um tanto quanto " enferrujada". Mas nada me é estranho, ou vazio, sem cor ou sabor, e tudo me traz lembranças, algumas muito boas, outras nem tanto, mas seguindo o que me disseram uma vez: Sigo em frente tentando tirar da vida as coisas boas que ela me traz, aprendendo com as ruins a quem sabe não errar novamente, pois como diz aquele ditado antigo: "Estamos todos matriculados na escola da vida, onde o mestre é o tempo".

Saudosista que sou, ser que vive de sonhar, me pûs a pensar em um nome que me trouxesse algo bom, gostoso com muito carinho. Onde eu pudesse mais uma ver guardar o que há de melhor em mim, para compartilhar com outros viajantes que como eu, vez por outra, possam passar por essas parajens. Pensei, pensei, revirei meu baú de recordações, juntei aqui,diminuí ali, somei tudo, dividi para no fim chegar aqui: 
" Relicário"

Está certo que existem palavras bem mais bonitas. De pronúncias solenes, e mais fáceis, mais eu gostei e achei que era isso o que eu procurava.

  Segundo o dicionário Relicário significa:

s.m. Caixa, cofre, lugar próprio para conter relíquias.
Bolsinha ou medalha com relíquias que algumas pessoas trazem ao pescoço por devoção.

Sendo assim estarão aqui minhas relíquias, meus sonhos, minhas idéias, minhas esperanças e tudo de bom que eu tiver comigo, apenas somente para por para fora todo o sentimento que trago comigo, compartilhar o pouco que sei da vida, e com toda a certeza: Aprender muito!
É muito bom estar de volta!!!

" A noite abre as flores em segredo, e deixa que o dia receba os agradecimentos"
- Tagore- 

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