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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

FAZ DE CONTA

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Ando descrente do ser humano. Cansada de tantas coisas que acontecem e ficam por isso mesmo, estou cansada de políticos mentirosos, de vizinho sem educação, e da falta de respeito com o próximo, estou cansada de gente grossa que vive falando da vida dos outros, apontando seus dedos como se fossem verdadeiras metralhadoras, gente que perde o melhor da vida com futilidades, deixando de viver e fazer o que de fato vale a pena nessa vida, tão efêmera e tão breve.

Como já diz aquele famoso samba " Sonhar não custa nada ", e sim, o meu sonho é tão real! Gostaria de ter um livro mágico e dele tirar todas as histórias com finais felizes...um país sem corrupção, e sim, " lindo por natureza ", ensino de qualidade para nossas crianças, pessoas tão felizes consigo mesmos que falar da vida alheia para que, se tem uma vida boa e linda, cheia de possibilidades para viver?! Lindas histórias de amor, onde casais não se separassem, e que o amor seria sim a força motriz mais poderosa desse mundo!
Do meu livro eu tiraria e daria ao mundo as mais belas poesias escritas com a alma dos poetas, belas canções daquelas que nos fazem sentir vontade de sair voando ao ouví-las! De lá também, já eternizado, eu tiraria o barulho do mar, aquele vai e vem das ondas que me embalam e me fazem sonhar! Nele estariam também, o nascer e o por do sol, obras de arte feita pelo maior de todos os artistas, " Deus ".Guardaria como lembrança, o som das gotas de chuva que caem lá fora, e que embalarão essa noite e seguem molhando a terra dos homens, acabando com a seca, dando vida às plantas e às criações.

Gostaria de poder reviver momentos felizes de outrora, dar mais risadas, ser um pouco mais leve...tiraria também uma segunda chance para abraçar mais, aproveitar as presenças daqueles que tanto amo e que já não estão mais aqui, dizer mais uma vez o quanto os amo e o quanto suas lembranças são essenciais na minha vida.
São tantos os sentimentos que trago aqui dentro, que tornam meu livro de " faz de conta " quase real, e não apenas utopia, realidades que fariam de nossas vidas , vidas com mais amor, alegria, e esperanças!

" As vezes ouço passar o vento, e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido ".
- Fernando Pessoa -

quarta-feira, 1 de julho de 2015

A VIDA E O TEMPO


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Não sou uma pessoa imediatista. Preciso de um tempo para digerir as coisas que vão acontecendo na
minha vida,sejam elas boas ou más. Preciso me acostumar, preciso me adaptar, preciso aprender a viver com aquela nova realidade. Infelizmente, o tempo não nos dá muito tempo para isso, ele vem célere, e junto com  a vida segue levando tudo que temos. Juntos abreviam as horas, levam com eles nossos aúreos anos! Levam muitas vezes as oportunidades que temos de dizer a quem amamos o quanto são importantes para nós. Deixamos de dar um beijo, um abraço. Deixamos de compartilhar um silêncio que seja, ou uma risada gostosa, deixamos de travar uma conversa amiga e despreocupada, tudo isso na maioria das vezes por falta de tempo, ou por motivos tão pequenos que envergonham levando-se em consideração o que realmente vale a pena nessa vida.

Tem quase um mês que estou me readaptando. Tem quase um mês que ensaio todos os dias palavras para escrever aqui que possam demonstrar o que eu sinto. Não quero demonstrar dor ou sofrimento, nem quero deixar que a tristeza apareça por aqui. Ela não gostaria que eu fizesse isso...

Há quase três meses eu a vi pela última vez. Era seu aniversário, ela completava 85 anos! Que bela idade, que grande motivo para se comemorar a vida! Reunimos a família aqui, e naquela manhã de sábado de abril pegamos a estrada indo para Jacareí, para comemorarmos com minha Tia Elza, irmã mais velha de Mamãe, seus 85 anos. chegamos lá beirando às 11:00 hs da manhã, e ela já estava aflita no portão, quando descemos dos carros veio ao nosso encontro reclamando que demoramos demais! Ela tinha pressa, e isso não combinava com ela...a casa já cheirava aquele aroma gostoso e inconfundível do seu tempero. A atmosfera era de festa e ela estava feliz demais por estarmos ali. Seus filhos foram chegando aos poucos...uns vindo do trabalho, outros indo. Outros passando ali mas apenas para nos abraçar. Minha tia teve 09 filhos ao todo, uma família já numerosa que foi aumentando conforme os primos e primas iam se casando e foram nascendo seus filhos, netos de minha tia.

Foi um dia de festa. Almoçamos, rimos, relembramos velhas histórias, ela contou muitas outras. Tiramos muitas fotos, ela gostava de rir só de nos ver rir, dizia que nossas risadas eram muito gostosas...e as dela eram deliciosas! Ela estava muito lúcida, mesmo aos 85 anos. Tinha uma sabedoria que encantava, eu adorava ficar bem pertinho dela só para ouvir a sua voz. Em sua fé inabalável, Tia Elza era um exemplo de fé em Deus e na humanidade. Criou 09 filhos ensinando que vale a pena ser bom e viver com honestidade. Nunca vi minha tia reclamar da vida, ao contrário, ela sempre dizia que só tinha a agradecer. Trazia sempre um sorriso nos lábios, e os olhos tão límpidos, refletiam a sua alma.  

Naquele dia que sem sabermos, era a nossa despedida, ela conversou com todos nós, e quando chegou na minha vez, quis saber como eu estava em relação à minha separação, disse que tudo estava certo assim, como estava e que eu tinha que por para fora tudo de lindo que eu trazia aqui dentro. Elogiou minhas pinturas, disse que eu nunca pintei tão bem quanto nessa fase da minha vida, e disse para eu escrever mais, pois ela achou muito linda a homenagem que eu escrevi para o meu pai na passagem do aniversário dele, uma de minhas primas mostrou à ela, e ela me disse emocionada que nunca tinha visto algo tão lindo. Me deu parabéns e pediu para eu continuar escrevendo. O dia voou, e por termos um compromisso no dia seguinte, voltamos para casa naquele mesmo dia. Na hora das despedidas, pouco antes de entrar no carro, olhei para trás e estavam todos no portão, ela estava paradinha, como se quisesse registrar aquele momento para sempre...Voltei correndo até ela e disse: "Tia, voltei para aproveitar e te abraçar mais uma vez"...nos abraçamos apertado, e quando nos olhamos pela última vez estávamos chorando. Voltei para casa em silêncio, me faltavam palavras...

A quase um mês atrás, que se completarão no dia 03, nas primeiras horas dos dia, recebemos a notícia de que Tia Elza tinha nos deixado. Assim como um anjo ela bateu suas asas e em um estalo de dedos, já não estava mais conosco. A dor foi imensa. Jacareí nunca nos pareceu tão longe como naquela manhã de 03 de Junho...fazia frio, estava nublado, assim como nós, um dia sem cor, e parece que todos choravam a partida da minha amada Tia. As despedidas foram dignas de Tia Elza. Simples, porém intensas e muito verdadeiras. E apesar da dor eu nunca vi uma despedida tão linda como a dela. 

Minha Tia é um exemplo para todos nós. Minha mãe ainda está abatida e sofre a perda da irmã que foi uma segunda mãe para ela, na verdade ela foi uma mãe para todos nós. Seus filhos apesar de dilacerados pela dor, estavam e estão conformados com a perda, essa foi a educação que ela deu a eles, a fé em Deus acima de tudo, na certeza de que Ele sabe de todas as coisas! Foram 85 anos de vida dedicadas ao próximo e a Deus. O amor à sua família, e a todos nós, nos traz a certeza de que sem amor a vida não tem sentido. Aos 85 anos Tia Elza era uma visionária, uma mulher que ultrapassou seu tempo. Era feliz, amava a todos e por todos era muito amada...ainda não me acostumei à nova realidade, mas pensando nela esses dias achei que ela gostaria que eu escrevesse sobre ela. Todas as palavras do mundo não seriam suficientes para descrever o quanto amei e amo Tia Elza, mas coloquei aqui todos os sentimentos, todas as alegrias que vivi ao lado dela, o seu carinho e a lembrança do seu sorriso que eu levarei comigo para sempre!

Tenho pedido muito a Deus que não me deixe levar por esse corre-corre da vida. Quero estar sempre atenta, para dizer sempre quem eu amo que os amo, e o quanto os amo...quero dar todos os beijos possíveis e todos os abraços que eu sentir vontade de dar e que nunca dei por vergonha...quero ouvir vozes, conselhos, e mais e mais histórias, quero compartilhar minhas dores e dúvidas, e minhas vitórias e alegrias também! Quero escrever mais, quero contar mais, quero dar mais de mim a quem precisa, certa do quanto de todos eu preciso. Quero reviver o passado de outrora e fazer dele o meu presente, quero dar amor e deixar amor por onde eu passar...

" Se a gente cresce com os golpes duros da vida, também podemos crescer com os toques suaves da alma. "
- Cora Coralina -

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Valentine's Day


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Como tudo que faço tem que ter História, uma breve explicação, para quem ainda não sabe, sobre a origem do Dia dos Namorados...Aqui no Brasil,  comemora-se  no dia 12 de Junho, na véspera do Dia de Santo Antonio - o Frei Português Fernando de Bulhões, que em sua missas e casamentos, sempre destacava com muito louvor, a importância do amor, e do casamento, foi estabelecido então, o Dia dos Namorados. Nos Estados Unidos, o dia é comemorado no dia 14 de Fevereiro, Dia de  São Valentin, remonta no Império Romano. O Bispo Valentin, foi proibido pelo Imperador Romano Claudius II, de realizar casamentos, e como o desobedeceu, continuando a realizar casamentos, foi preso e condenado à morte, sendo decapitado em 12 de Junho de 270 a. C .

Histórias e origens à parte, hoje, enquanto andava pelas ruas do centro da cidade, notei que às vésperas do Dia dos Namorados, a não ser por alguns enfeites nas lojas, pouco se lembrava a data em questão, ainda mais se comparada a anos atrás!

Impossível não me recordar daqueles anos em que se sentia o cheiro de romance no ar, nas vésperas e no próprio Dia dos Namorados.

Na minha adolescência, estudei sempre de manhã, com o fim das aulas sempre beirando o meio dia, ficava encantada com a quantidade de buquês de flores que eu via nas mãos dos garotos apaixonados,à espera de suas namoradas! As floriculturas, as lojas de perfumes, chocolates, eram as mais procuradas. Aquele famoso brilho no olhar estava presente nos olhares enamorados, corações feitos de caneta, enchiam os cadernos das meninas, que sonhavam com o futuro namorado, na espera do primeiro beijo.

Era tradição aqui na minha cidade, comemorar o Dia dos Namorados no Baile dos Namorados, com o " Roupa Nova ", baile com show promovidos por um clube aqui da cidade. E que tristeza era essa data para mim! Desde muito nova eu já era apaixonada pelo Roupa Nova, amava aquelas músicas lindas mas meus pais não me deixavam ir aos bailes! Era muito nova, reconheço, e até chorava nesse dia, porque era mais um show do Roupa Nova que eu não poderia ir...os anos passaram, e quando eu fiz 18 anos, pude finalmente, ir no Baile dos Namorados! Sem namorado! Rsrsrs...nunca consegui ter um namoradinho que durasse o tempo suficiente para ir ao baile, rsrsrs...por muitos anos, em todos anos de carreira, o Roupa Nova fez esses famosos bailes, e eu estava lá em todos desde a maioridade!

Hoje, percebo que as pessoas perderam aquele romantismo. Perderam a doçura de dar aquele beijo tão esperado! Perderam a criatividade de confeccionar, escrever uma cartinha  de amor; um cartão lindamente decorado.

As músicas eram verdadeiras trilhas sonoras para os corações que eram repletos de amor! Ainda se dançava de rosto colado, dois leves passinhos para cá, dois leves passinhos para lá... éramos embalados pelas belas baladas dos anos 80, época de ouro da música nacional e internacional, saudosista que sou, trago comigo todas aquelas canções que foram tão especiais para mim, embalaram o primeiro beijo, o amor inocente do primeiro namorado, todo amor puro e inocente que trazíamos dentro dos nossos corações...

Os anos se passaram, todas as minhas amigas e meus amigos contemporâneos já  tem suas famílias, seus filhos e até netos! Somos todos "quarentões " saudosos daquela nossa linda época, saudosos daquele romantismo, da inocência que ainda trazíamos em nossos corações. Uma delicadeza, um cavalheirismo, que não existem mais. Foram substituídos pela urgência, deixaram de lado o amor, o romance, a beleza.

Meu coração está em pedaços. Há cinco meses venho tentando reconstruí-lo após uma dolorosa separação. Quem me conhece sabe o quanto foi, e está sendo difícil para mim essa vida nova, em que estou recomeçando a viver novamente, é um recomeço todos os dias, estou reaprendendo a viver sozinha, e sonhar novamente,  a manter acesa a chama que nunca pode se apagar: a chama da esperança no amor, na beleza de um olhar apaixonado, na pureza de um sentimento. Quero não deixar de acreditar em tudo isso, Quero acreditar que sim, o amor existe, e que a felicidade a dois é possível, tão possível como ter alguém que me entenda, e que compartilhe comigo dos meus sonhos, afinal, a perfeição não existe, e somos todos viajantes caminhando por essa estrada que é a vida...quero voltar a acreditar no outro, quero perder o medo do sofrer, eu só quero ser feliz novamente....

Desejo a todos um dia feliz! Repleto de muito amor, muita alegria, e muita esperança! Esperança na vida, e em tudo de tão bonito que eu acabei de escrever aqui...

"Mas é que aqui dentro tem tanta coisa linda, tanto amor, tanta poesia que transbordo em cores, em flores. Sou moça de peito aberto, ofereço sem querer nada em troca, mas recebo de bom grado tudo o que puder me fazer crescer, florescer, AMORecer."
Tati Zanella

terça-feira, 2 de junho de 2015

Recordar é viver....



Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto - MG - Toda talhada e esculpida por Aleijadinho


 Que eu sou uma saudosista nata, não é novidade. Que vivo em um mundo de nostalgia, também não. É com pesar que vejo o tempo se esvaindo pelos meus dedos, sem que eu possa detê-lo. Sempre fui fascinada pelo tempo, e por tudo que ele trás consigo, a passagem dos anos, e esse poder mágico e tão espetacular de ser a única testemunha da História!
E é assim que eu começo esse post de hoje, post este que já está na minha cabeça a um bom tempo, guardado nesse meu baú de lembranças, fervilhando, sendo construído até estar pronto para ser colocado aqui...Já faz muito tempo, eu era uma menininha de cinco para seis anos de idade. Por motivos de trabalho de Papai, fomos morar em Conselheiro Lafaiete - Minas Gerais, cidade onde mora toda a minha família paterna, e que é vizinha à Congonhas do Campo. E foi nessa idade que tive a grande honra de ser apresentada ao Mestre Aleijadinho. 
Base da Escultura do Profeta Ezechiel, um dos Doze Profetas de Aleijadinho
Fomos à Congonhas do Campo, em uma tarde de domingo, em um passeio em família, e lá, vi pela primeira vez, as grandes esculturas feitas em Pedra Sabão, pelo Aleijadinho...na minha ingenuidade infantil, primeiro quis saber o que era " aleijadinho ", depois que minha curiosidade foi satisfeita, queria saber como era possível um homem aleijado esculpir tamanhas esculturas! Muitas foram nossas idas à Congonhas do Campo durante os 05 anos que moramos lá. aos 10 eu já era apaixonada por tanta beleza, e já sabia toda a história de vida daquele que foi o maior expoente do Barroco Brasileiro.
Adro dos Profetas - Igreja de Bom Jesus de Matosinhos - Em Congonhas do Campo MG
Meu saudoso amigo Serjão & Eu
Quando eu estava com 10 anos, Papai foi transferido novamente para minha cidade, e foi com imensa alegria que voltamos para Barra Mansa. Mas eu nunca mais me esqueci de Congonhas do Campo, e do grande Mestre Aleijadinho. Os anos foram passando e sempre alguma coisa me levava novamente à Congonhas, e eu via aquilo tudo como se fosse a primeira vez...

 Aleijadinho é considerado o mais importante artista brasileiro do período colonial. Entretanto, alguns pontos de sua vida são ainda obscuros, a começar por sua data de nascimento. A data de 29 de agosto de 1730, encontrada em uma certidão de óbito de Aleijadinho, conservada no arquivo da Paróquia de Antônio Dias de Ouro Preto. Baseado neste segundo documento, o artista teria falecido em 18 de novembro de 1814, com setenta e seis anos, e seu nascimento dataria, portanto, de 1738. Antônio Francisco Lisboa nasceu bastardo e escravo, uma vez que era "filho natural" do arquiteto português Manoel Francisco Lisboa e de uma de suas escravas africanas. A mesma incerteza caracteriza o capítulo de sua formação. Provavelmente ele não teria freqüentado outra escola que a das primeira letras, e talvez algumas aulas de latim. Sua formação artística, ao que tudo indica, teve como prováveis mestres, primeiramente, o próprio pai, arquiteto de grande projeção na época, e o pintor e desenhista João Gomes Batista, que exercia as funções de abridor de cunhos da Casa de Fundição da então Vila Rica.



Ao fundo Igreja de Bom Jesus de Matosinhos - e um dos Doze Profetas de Aleijadinho.


Um dos Doze Profetas de Aleijadinho - no Adro dos Profetas em frente à Igreja de Bom Jesus de Matosinhos
A primeira menção histórica relativa à carreira artística de Antônio Francisco Lisboa data de 1766, quando o artista recebe a importante encomenda do projeto da igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto.
Adro dos Profetas - Esculturas dos Doze Profetas de Aleijadinho em frente à Igreja de Bom Jesus de Matosinhos
O ano de 1777 seria o ano que dividiria sua vida. Um ano de doenças, crucial. Até ali, suas obras refletia jovialidade, até uma certa alegria. Depois, e principalmente no final, a obra do artista é triste, amargurada e sofrida.
"Tanta preciosidade se acha depositada em um corpo enfermo que precisa ser conduzido a qualquer parte e atarem-se-lhe os ferros para poder obrar" (informação do vereador de Mariana, Joaquim José da Silva, citado por Rodrigo Ferreira Brêtas).
"A lepra nervosa é a única afecção capaz de explicar a mutilação (perda dos dedos dos pés e alguns das mãos), a deformidade (atrofia e curvamento das mãos) e a desfiguração facial, as quais lhe valeram a alcunha de Aleijadinho.
"A lepra nervosa (tipo tuberculóide da moderna classificação) é uma forma clínica não contagiosa, em que as manifestações cutâneas podem ser discretas ou mesmo ausentes. É relativamente benigna, poupa os órgãos internos e tem evolução crônica. Compreende-se assim, que Antônio Francisco Lisboa tenha vivido quase 40 anos após haver-se manifestado a doença que não o impediu de completar sua volumosa obra artística".


Um dos Doze Profetas de Aleijadinho no Adro dos Profetas
Em 1796, no apogeu de uma vitoriosa carreira artística, e considerado pelo próprios contemporâneos como superior a todos outros artistas de seu tempo, Aleijadinho inicia em Congonhas o mais importante ciclo de sua arte. Em menos de dez anos cria 66 figuras esculpidas em cedro, compondo os passos da paixão de Cristo e em pedra-sabão, esculpe os 12 profetas, deixando em Congonhas o maior conjunto estatutário barroco do mundo. As obras de Aleijadinho, estão nas cidades mineiras de : Congonhas do Campo, Ouro Preto, Mariana, Sabará, Tiradentes e Ouro Preto.

Costumo dizer que, estar de frente à uma obra de Aleijadinho, é, ganhar para todo o sempre um belo e sublime presente. Suas obras tem uma força descomunal, e ao mesmo tempo, suas feições conseguem transmitir aos olhos de quem as vê, nossa alma nela refletida. Como pode uma escultura de pedra, ou as de madeira conseguirem transmitir tanta vida?
Ali vejo todas as mazelas humanas, todos os sentimentos pelos quais vivemos por todas as nossas vidas. As dores humanas, e as dores de alma. O conhecimento de séculos e uma verdade que se julga inexistente. Os olhares de Aleijadinho expressados em todas as suas esculturas são fortes, dolorosos, e ao mesmo tempo, são frágeis, límpidos e acreditem: " Vivos "!

Aos mais sonhadores, como eu,  digo: Os olhos das belas esculturas do Mestre Aleijadinho " brilham "!!!

Um dos Doze Profetas de Aleijadinho



Aleijadinho é atemporal. É único . É forte. É vivo. É para sempre!
Estar ali, no auto da uma das lindas montanhas das Minas gerais, no Adro dos Profetas, em meio
 daquelas imensas esculturas é uma lembrança que fica guardada na alma de quem tem a oportunidade de ir até lá e conhecer o Mestre Aleijadinho, que continua vivo através de seu legado mesmo depois de três séculos.
Um dos Doze Profetas de Aleijadinho
Aquela garotinha que aos quase seis anos de idade conheceu o Mestre Aleijadinho, ainda mora em mim, e eu a levo comigo a cada vez que a vida tão bondosa, me concede o presente de mais uma vez ir até Congonhas do Campo! Um lugar que todo brasileiro teria que ter a oportunidade de conhecer, a arte de um escravo, a arte de um povo sofrido, a arte que marcou uma época e o nosso país!

Post especialmente dedicado ao amigo de História Carlos Eduardo - Kadu -



Notas:
- Todas as fotos desse post, são de meu acervo pessoal.
- Fonte de Pesquisa ; " Escritório de Arte "

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Sonhos...




-Vale Sagrado dos Incas " Machu Picchu "
Foto Google


Noite fria de outono, um céu de um azul escuro, quase preto, com algumas pontinhas que brilham como se fossem vagalumes, e que seguem comigo por esse caminho que trilho às escuras mas que de certa forma eu conheço tão bem. Bateu vontade de sentir esse cheiro do mato, fresco, molhado pelo sereno da noite que banha a relva a ponto de molhar os meus pés, que à essa altura se sentem cansados dessa longa caminhada.
Venho aqui hoje em busca de descanso, de paz, não apenas pelo corpo cansado, mas em especial pela minha alma, outrora tão límpida , tão pura, quando eu ainda trazia comigo a pureza e a ingenuidade de uma criança, já faz tanto tempo, que a contagem dos dias se tornam desnecessárias, deixo que as marcas deixadas contem, elas sabem bem mais do que eu.

Daqui avisto o vale lá em baixo. Pequenos pontos marcam a existência de vida naquele lugar que vendo daqui, me parece tão longe. É como olhar o infinito, e ali imaginar um mundo novo, a renascer da escuridão, e de tudo aquilo que existe de bom  nesse mundo.

Esse vento frio parece cantar enquanto passa por mim, uma melodia suave, e única. Em uma prece silenciosa, peço a ele que leve toda essa tristeza que sinto e que teima em me atormentar, embora...Meus sonhos mortos teimam em reviver. Sinto que querem renascer das cinzas como se 
uma Fênix fossem,  tangem meus sentimentos mais íntimos, exultando-os para que se rebelem aqui dentro do meu coração, trazendo de volta toda aquela melancolia, velha conhecida, que sempre pacientemente, permanece querendo me roubar a paz que tanto luto para conseguir. O silêncio vem compartilhar comigo as lembranças que trago, hora felizes como o cheiro da infância, seus gostos, suas marcas deixadas através dos tempos que são como histórias contadas em uma roda de crianças...Ouço risadas ao longe trazidas pelo vento. Vejo imagens amareladas pelo tempo como se um filme fossem, passando diante dos meus olhos. Gosto doce, como aqueles bolos lindos que a minha saudosa tia Neide fazia nos meus aniversários.

Impossível não trazer à tona o afago quente daqueles abraços que tanto me fazem falta. Sentindo esse vento frio, me transporto naquele abraço quente, macio,  que eu tanto sonhava em sentir ao menos mais uma vez...

Fecho os olhos e sinto o milagre da vida se mexer sob minhas mãos. Aquele milagre que eu não gerei, mas que sempre foi um sonho que eu tento ainda extinguir aqui dentro de mim. 

Sinto saudade de mim.

Sinto saudade daquilo que eu não conheço, e daquilo que eu não vivi. Desejos que eu julgava extintos, renascem a cada instante, como agora, em que fecho os olhos e sonho com a felicidade.

Sinto saudade de tudo aquilo que vivi, e até que ainda sonho em viver. Saudade da vida, das cores, do meu rosto que já foi um dia tão alegre e feliz! Saudade daquele tempo em que a alegria estava ao alcance das minhas mãos!

Saudade do folhear de um livro, porque faz tanto tempo que eu deixei de viver nas histórias que eu me esqueci dos finais felizes...

Saudade daquela garota e mulher sonhadora que eu tento  trazer de volta a cada vez que venho aqui !

Já é tarde e a noite se torna ainda mais bela. Faz mais frio, e eu começo a fazer o caminho de volta para casa. Trago comigo a certeza de que tenho feito a coisa certa ao tentar ser feliz e ainda continuar a acreditar na beleza e na delicadeza da vida, mantendo a esperança junto ao meu caminhar, trazendo sempre um sorriso nos olhos, e muito amor no meu coração!!!


..." No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas que o vento não consegue levar:
Um estribilho antigo
Um carinho no momento preciso
O folhear de um livro de poemas
O cheiro que tinha um dia o próprio vento " ...

- Mário Quintana -

segunda-feira, 16 de março de 2015

Simplicidade



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Semana passada, na sala de espera de um consultório médico, foleava uma revista até que me deparei com  uma pequena mensagem que me chamou atenção porque é algo que não somente eu, mas creio que todo o mundo faça: A eterna mania que temos de complicar as coisas!
Desde então, tenho pensado nisso com uma certa frequência, desejando sim que meus dias sejam menos descomplicados. Já diz aquele ditado: Muitas pessoas vivem " procurando pelo em casca de ovo", ou seja: Vendo problemas onde eles não existem! 

Na maioria das vezes as pessoas enumeram em listas enormes e imaginárias, vários ítens que as fariam mais felizes. Eu mesma já fiz isso: Quantas vezes pensei que se tivesse isso ou aquilo eu seria bem mais feliz! Claro que certas coisas aumentam aquele estado momentâneo de felicidade, mas logo passa dando lugar aquele vazio que muitas vezes dilacera a alma, doí tanto que a gente não sabe mais o que fazer para sanar aquela dor e ter paz...

Ontem, em um domingo em família, fazendo um pequeno passeio pela região rural de minha cidade, ainda tinha comigo esses pensamentos, quando tive a resposta olhando as paisagens que se descortinavam aos meus olhos...Montanhas altas, unidas umas às outras como se fossem coladas, forradas por um verde de tom único como se fossem um tapete. Vez por outra pequenos lagos apareciam e me pegavam de surpresa, refletindo a cor daquele verde que se espelhava naquelas águas. Estrada de chão, empoeirada, vez por outra, cabeças de gado guardadas por cercas de arame mudavam as cores da paisagem, juntamente com poucas casinhas caiadas de branco, tendo apenas as janelas coloridas,vistas ao longe que de tão belas e simples pareciam colocadas ali à mão. Árvores altas, com copas coloridas de vários tons tinham como fundo aquele azul que de tão perfeito inundava a alma e os olhos daqueles que tem a oportunidade de ver tamanha beleza!

No fim do dia, ao fazer uma pequena  retrospectiva dos momentos vividos, cheguei a conclusão de que sim, as coisas mais belas, mais especiais, e únicas são as mais simples! Todos os momentos vividos não tem preço, especialmente aqueles mais singelos, como um passeio, o folear de um livro, um bate papo, uma risada gostosa, aquele abraço apertado,o registro de um momento feliz em uma foto e uma infinidade de coisas que na maioria das vezes nos passa despercebido por estarmos ocupados demais procurando problemas, sempre querendo mais e mais, vivendo em uma busca sem fim por dinheiro, status, beleza física, enriquecendo as contas bancárias, mas esquecendo de enriquecer a alma.

Não quero aqui mostrar um exemplo de vida a ser seguido, longe disso. Escrevo com o ,coração, enriquecendo a alma, e guardando essas palavras entre os meus tesouros mais preciosos: Minhas idéias, meus pensamentos, concepções diante da  efemeridade dessa  vida linda e que nos é tão rara, tão breve e tão preciosa!

" O mundo fica mais bonito quando a gente carrega coisas bonitas dentro do peito."
- Clarissa Corrêa -

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

OUTRO TEMPO

Imagem: Google

Desde criança  ouvia os adultos dizerem que a morte é a única certeza que temos na vida, cresci  e infelizmente perdi pessoas que foram e são, muito importantes na minha vida. Tais perdas vieram a confirmar, o que eu já sabia: De que sim, a morte faz parte da vida.
Longe de querer escrever um texto triste, apenas constato e comparo com essa afirmação, de que nada na vida é definitivo.
Seres imperfeitos que somos, vivemos em busca da tão sonhada felicidade. Fazemos nossas escolhas já certos de que planos podem ser mudados durante o percurso, e o que se julga definitivo, toma outro caminho, segue por outra bifurcação nessa estrada que é a vida.
Sentimentos outros, tomam de assalto o coração, por vezes já machucado, cansado, e decepcionado perante a não realização daquilo que tanto sonhou e idealizou. Esse mesmo coração de repente se vê diante de um novo amanhecer,  se enche de esperanças  e de repente vem a certeza de que pode sim trilhar novos rumos, buscando curar suas feridas, e também sair na busca incansável por conhecimento, crescimento, e acima de tudo: Amadurecimento, porque não?
A gente sofre, se magoa, se entristece, mas depois da tempestade o sol brilha novamente, e a vida milagrosa, sob a regência do Grande Mestre, renasce, e grandiosa nos dá novo ânimo, força, coragem e acima de tudo: Esperanças!
Que venha então vida nova, novos tempos, certa de que somos viajantes nessa estrada,  e tudo que vivemos se transforma na grande bagagem que levamos pela vida.

" Não tenha medo da tristeza, ela não tem o poder de roubar a felicidade, ela vai do mesmo jeito que vem. 
Você fica.

- Padre Fábio de Melo - 


domingo, 18 de janeiro de 2015

Recomeço

Imagem: Google
                      Daqui a pouco faço aniversário novamente, e lá se vai um ano em que estive aqui pela última vez... Triste constatação, a julgar pelo fato de que adoro escrever, criar, estar em contato com outras pessoas através do blog e fazer daqui aquele meu canto preferido. Infelizmente  a vida passa célere, e o tempo, senhor de tudo e de todos, nos leva com ele,  assim, sem que a gente veja e possa de alguma forma esboçar qualquer reação.
             Vivemos em um mundo que nos empurra a cada instante um amontoado de tecnologia, informações, receitas de como viver uma vida mais fácil, mais feliz, receitas instantâneas e mágicas de bem viver, tratados homéricos de como ser extremamente feliz em um mundo interligado pela alta tecnologia e pela facilidade de comunicação que esse mundo nos dá.
                 A sociedade contemporânea tenta seguir esse modelo enlatado de vida, um emaranhado de inutilidades e futilidades diante da vida, efêmera, singela, e tão breve...Aqueles momentos de alegria, são deixados para trás e deixamos de dar importância a aqueles almoços de domingo em família, deixamos de dar aqueles abraços apertados e tão gostosos, esquecemos de pessoas tão importantes em nossas vidas deixando de dizer a elas o quanto são importantes, especiais, e o quanto as amamos...deixamos de dar importância a quem verdadeiramente importa, por vezes deixamos de ser gente, de agir como gente, no imediato da vida viramos ilhas, daquelas desertas, bem no meio da imensidão infinita do oceano. 
E é o que a vida se torna: Um oceano repleto de ilhas!
             Mas creio bem lá no recôndito da minha alma, que tanto eu quanto você, podemos ser responsáveis por uma mudança: Deixando de ser ilha. Abrindo o coração para o que verdadeiramente importa, valorizando as pessoas que tanto amamos e por vezes deixamos de lado esses sentimentos e mostrando ao outro o quanto ele é essencial  nesse todo que somos  cada um de nós.

Hoje eu quero a paz habitando aqui dentro do meu coração. 
Qualquer sentimento contrário é totalmente dispensável.
Uma porção de levezas, é o que eu desejo,
é o que cabe. 






segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

41 Anos...

Foto By Volnei Almeida

Enfim consigo chegar até aqui, meus pés estão cansados e empoeirados da longa caminhada, que bom poder tirar os sapatos e deixar que eles descansem em pouco, melhor ainda é me sentar de frente para esse mar lindo que eu não me canso de contemplar e esquecer nem que seja por pouco tempo, da vida e de tudo que venho trazendo comigo por esses dias, sinto meus ombros pesados, cansados da rude  caminhada,e como disse o maior de nossos poetas em um dos seus mais belos poemas : " ...Teus ombros suportam o mundo, e ele não pesa mais do que a mão de uma criança"...

Foram meses de espera até que eu conseguisse vir aqui, levada pelos afazeres do dia a dia e da rotina que nos consome, meus dias foram levados pelo tempo sem que eu mesma me desse conta de que tanto tempo havia passado. Todos os dias pensava e tecia idéias para uma boa conversa, mas logo aquela dia ia embora sendo sucedido por outro e outro e nada me tirou daquela bola de neve que se tornaram os meus dias, acabou-se o ano, já é fevereiro, e já é Carnaval novamente, um ano se passou e eu já completo mais um ano de vida.

41 anos! Impossível não me assustar com a rápida passagem do tempo...me recordo como se fosse hoje das minhas brincadeiras aqui, das tantas e tantas vezes que me sentei aqui, exatamente aqui para contemplar a vida que vejo saltar como um milagre dessas águas calmas e tão límpidas...Saudades das minhas garrafinhas e das mensagens que eu escrevia e colocava dentro delas, nostalgia pura...tentava jogá-las  na maior distância que eu conseguia, para que elas viajassem para bem longe rumo ao infinito que é esse mundo tão lindo. Saudades de mim mesma e daquela mulher de outrora, sonhadora, um tanto ingênua demais, romântica, idealista que ainda acreditava muito na humanidade, repleta de esperanças na certeza de ainda ver um mundo melhor um dia.

A noite aqui é brilhante...Nesse cenário onde eu sempre fui tão feliz, a vida se renova a cada amanhecer, a cada dia que nasce uma nova surpresa, uma oportunidade única de fazer de cada receio, um novo ponto de partida... tudo de puro e simples está aqui,  guardado como um tesouro  no recôndito da minha alma, pois pouco ficou da beleza em que eu via o mundo e as pessoas, ficou a incredulidade, em algumas vezes a decepção, sentimentos que travam uma luta constante aqui dentro com a fé que eu ainda tenho em mim e nos outros.
 O barulho das águas me trazem a vontade de ficar aqui para sempre. Ouço risos ao longe que me confundem com as lembranças de pessoas que eu tanto amei e que fazem parte de minha história...é só fechar os olhos que vejo, ouço, e sinto o cheiro bom daqueles tempos! Aniversários comemorados com os bolos deliciosos e lindos feitos pela minha tão querida e saudosa Tia Neide, ela era a festa! É como se o tempo não tivesse passado, até o gosto ficou,  acompanhado pela saudade que faz doer e faz com a gente sempre se pergunte porque temos que nos separar daqueles que amamos, ainda bem que existem as lembranças, essas são minhas, verdadeiro tesouro que levarei para sempre comigo aonde eu for.

A brisa fria acaricia o meu rosto, e traz com ela aquele cheiro gostoso que só o mar tem, grandioso, majestoso e ao mesmo tempo frágil, e tão belo, como cada grão de areia dessa praia, partículas quase invisíveis que formam esse todo sem fim como os sentimentos de cada um de nós!

Essa imensidão me traz esperança de que encontrarei pelos meus caminhos coisas lindas, sentimentos verdadeiros, vontade de realizar meus sonhos, saúde e bom ânimo, trabalho, amigos verdadeiros, que sejam poucos, mas verdadeiros, e de que terei comigo pelo tempo que tiver de ser, as pessoas que eu tanto amo!

Chegar aos 41 anos é um presente, daqueles bem especiais, que somente alguém tão especial como DEUS é capaz de me presentear, peço a Ele nesse instante misericórdia e tolerância, que Ele em sua sabedoria possa sempre me mostrar o melhor caminho a seguir, somos aprendizes nessa escola da vida e ninguém nunca está pronto, estamos sempre em eterno aprendizado, peço a Ele que me ajude a ser uma boa aluna, que eu tenha perseverança, e muita humildade.

Agora preciso voltar para casa, vou calçar meus  sapatos, mais descansada leve e feliz!


 "E a cada passo que dou uma nova surpresa. ando encontrando coisas lindas pelo caminho, flores de delicadeza. E há quem chame isso de sorte ou de destino.
Mas eu prefiro chamar de Deus. "
- Padre Fábio de Melo - 

sábado, 18 de maio de 2013

Divagações...

Imagem: Google

Ao entrar aqui no blog tomei um susto: Tem mais de um mês que eu não faço uma postagem nova!
O que a falta de tempo faz com a gente! Vai adiando, amanhã eu faço, depois, e quando eu vi, já se passou um tempão. Curioso é a vontade que fica me chamando para vir escrever, um monte de idéias emaranhadas na cabeça que ao se depararem com a tela em branco simplesmente desaparecem, deixando esse vazio e essa sensação horrível de sem saber por onde começar...

O tempo segue célere, e a vida efêmera, segue com ele, indo os dois muito rápidos deixando para trás  os desavisados, aqueles que ousam desafiar a exatidão da vida e as incertezas do tempo.

Tenho andado mais distraída do que o costume, repleta de idéias, esperando que elas aconteçam...perco-me em pensamentos várias vezes ao dia, com mil coisas para fazer e não conseguindo realizar sequer uma pequena parte delas. Com uma vontade louca de por minha alma para fora, e mostrá-la ao mundo, mais ela tem vontade própria e está muito mais recolhida no meu ser do que sempre esteve. Quieta, só, repleta de coisas boas, querendo sim crescer e brilhar mais do que nunca, porém ser saber qual dos caminhos seguir...e são tantos os caminhos! A impressão que eu tenho é que ela sente saudade de onde veio.

Há de se pensar que esse é mais um texto melancólico, repleto de tristezas e amarguras, mas não é. Ao vê-lo crescer e tomar forma sei que ele é um texto repleto de amor, esperanças temperado com uma pontinha de indignação, porque não? Indignar-se é para os mais fortes e puros de coração, aqueles que resguardam suas idéias lá no fundo e na hora certa as colocam para fora sem medo, e repletos de sonhos, ousam sonhar, porque não?

Chove lá fora. Como me disse um amigo um dia: " É a chuva, lavando a terra e a alma dos homens"...Ao som do silêncio, acompanhada pela saudade, eu sigo adiante tentando parar de fazer perguntas e ao mesmo tempo imaginar as suas respostas, parar, sentir deixar o coração simplesmente me contar o que ele sabe, e ele conta, com uma sabedoria única, de quem já viveu muitas vidas, esteve em muitos lugares, e teve sempre que sobreviver e seguir adiante, convivendo sempre com as lembranças de outrora. Na verdade, acho que todos nós de uma maneira ou outra, temos que conviver com as lembranças do passado. Ter saudade daquilo que já viveu, outras vezes não. E um tanto quanto complexo: Sentir falta do que não viveu. Muitos sonhos, muitos planos deixados para trás, uma montanha enorme de sentimentos acumulados e não vividos que poluem a atmosfera em que vivemos simplesmente porque deixamos de fazer aquela faxina dentro de nós mesmos...Deixar o coração falar é deixar para trás tudo aquilo que não me serve mais, até mesmo idéias e sentimentos que de tão velhos e esquecidos já nem nos lembram mais de onde vieram e de que são feitos.

Sim, vale a pena "nós" nos lembrarmos de que somos feitos, para que a gente não se esqueça nunca que somos feitos daquilo que é mais puro e único no mundo que é a vontade de seguir adiante, com a pureza de coração, alma límpida e corajosa, como o orvalho tímido e solitário que nasce a cada amanhecer, e fortes como as ondas do mar que ao se quebrarem na areia fazem de cada recuo um novo ponto de partida.

" A saudade é a nossa alma, dizendo para onde ela quer voltar" 

Rubem Alves

quarta-feira, 27 de março de 2013

Amor, apenas amor.


Foto Google

A noite ainda traz o friozinho que a chuva que caiu durante o dia deixou. Um friozinho gostoso, intimista, diria melhor:  Aconchegante.
É é assim que eu me sinto neste instante: " Aconchegada" no meu mundo, no meu cantinho, assim, bem dentro de mim mesma, na minha alma.

Há dias quero falar/escrever sobre o amor. Em suas diversas formas, ele vem conduzindo, moldando, e mudando a humanidade desde o início dos tempos...Muito se fez e se faz em nome do amor. No mundo contemporâneo, o amor chega a ser um sentimento quase casual, esquecido o romantismo, o amor foi substituído pelo sexo em sua ânsia pela liberdade individual na procura de uma felicidade  ilusória, diga-se momentânea, sem raízes, apenas  gotas de felicidade que são levadas pelo vento...

O que eu sei do amor? Nada absolutamente nada. Só sei sentir.

O conheci já na maturidade, sem grandes experiências anteriores, esperei a vida toda pelo príncipe encantado, montado em seu cavalo branco, que viria me buscar para vivermos juntos um grande amor, tal qual as histórias de romance dos livros.  Afastada de casualidades, sempre quis o verdadeiro,aquilo que eu ao olhar para trás poderia dizer  que valeu a pena. Vi as amigas da minha idade se casarem terem seus filhos, construírem as suas vidas, se  decepcionarem, e assim viverem infelizes até hoje. Muitas vezes me perguntei onde será que elas erraram? Mas será que erraram mesmo? Uma pessoa erra ao depositar no outro os seus sonhos de felicidade? Acredito que muitos diriam que erram sim. Eu já acho que não. 

Falando  de amor me recordo do Poeta Homero, em " A Ilíada" (1200a.C - 1300a.C.). Lendárias ou não, as narrativas homéricas em " A Ilíada" narram a história de amor da Princesa Helena de Esparta, esposa do temido Rei Menelau, e de Páris, Príncipe de Tróia, filho do Rei Príamo, que ao visitar Esparta em uma viagem diplomática, se apaixona por Helena e a traz consigo para Tróia, dando início assim a tão famosa     " Guerra de Tróia"...A guerra durou 10 longos anos e foi uma história de amor que não deu certo assim como tantas outras que nós vemos por aqui, sabe porque? Príncipes encantados em seu cavalo branco  e princesas não existem,o que não nos impede de sonhar com um amor verdadeiro,  que nos traga a tão sonhada felicidade.

Como eu mencionei acima, nada sei do amor. Só sei mesmo sentir. E sinto, amo, vivo o amor que eu tenho com toda a verdade e força que me é capaz. Sonho sim, não com o príncipe encantado, rs, mas com a felicidade que me é possível ter e sentir. Sonho amar mais e mais e tê-lo por toda a minha vida. Quero continuar vivendo esse amor além da morte porque sim, eu acredito na eternidade. Assim como acredito na fidelidade dos nossos sentimentos e do quanto somos importantes um  para o outro. A vida não dá trégua e nem sempre a gente consegue viver com todo aquele romantismo, mas sempre digo " eu te amo" que é para ele não se esquecer o quanto ele é importante para mim, pois meu amor é infinito...

Espero poder daqui alguns anos ao olhar para trás, revivermos os doces e tão preciosos momentos de outrora, cada toque, cada olhar, cada emoção, cada vez que nos demos as mãos, ou que nos beijamos, a cada vez que "sentimos" o quanto nos queremos bem e nos amamos. E juntos podermos dizer um ao outro que sim, valeu a pena...

" A GENTE NASCE E MORRE SÓ.
E TALVEZ POR ISSO MESMO É QUE SE PRECISA TANTO VIVER ACOMPANHADO "

- Rachel de Queiroz -

quarta-feira, 20 de março de 2013

Galeria de Fotos do Relicário - Fazenda Boa Vista em Bananal - São Paulo


-Sede principal da Fazenda Boa Vista -

Que post demorado esse. Há dias quero postar mas simplesmente não consegui,  vou sendo levada pelo tempo e quando vejo " já fui " usando a expressão de  um amigo meu...Mas vendo essas fotos novas do meu amigo Volnei Almeida tive ânimo, adoro as fotos dele e essas em especial, pois foram tiradas em um lugar muito especial, que eu gosto muito: Bananal - São Paulo
- Estrada que leva à entrada da Fazenda -

Bananal é a última cidade do Vale do Paraíba, fica ao extremo leste de São Paulo, de onde fica a 314km. No sopé da Serra da Bocaina, é uma cidadezinha pequena e muito agradável, segundo o senso de 2003 tem apenas 9.910 habitantes e uma área de 618,7km2, uma miscelânea do rural com a cidade, o parque ecológico com muitas cachoeiras, trilhas, algumas com a vista para o mar de Angra dos Reis, e ao mesmo tempo, os antigos casarões das fazendas do ciclo do café, repletos de história dos tempos aúreos dos barões de café do Império que atraí muitos turistas durante todo o ano, Bananal é história pura. 
- Uma bela vista, você não acha? -

Bananal nasceu da povoação fundada por João Barbosa de Camargo e sua mulher Maria Ribeiro de Jesus, que aí ergueram uma capela dedicada ao Senhor Bom Jesus do Livramento, em sesmaria que lhes foi doada em 1783. O povoado foi elevado a Vila em 1832, e a Município em 1849, sendo comarca desde 1858. 
O município cresceu e se enriqueceu com as fazendas de café. Com tanta riqueza, Bananal chegou  a avalizar para o Império empréstimos  feitos em bancos ingleses, chegando ao luxo de possuir, por algum tempo,  moeda própria.
- Porta que dá entrada ao Salão principal da Fazenda -

Bananal fica a 30min. aqui de Barra Mansa, o que impressiona muitas pessoas, passa-se do estado do Rio de Janeiro para o estado de São Paulo, assim, em tão pouco tempo. O que mais me impressiona é que mesmo com tanta proximidade Bananal não se deixou contaminar pelos costumes aqui do Sul Fluminense, ao contrário, impressiona a quem chegar lá e ver que se está mesmo em uma cidadezinha do interior de São Paulo. Orelhões diferentes, sotaque paulista acentuado por ser do interior, costumes que se mantém vivos através dos séculos. Artesanato local riquíssimo, lá em Bananal até os homens  fazem crochê, uma das principais fontes de sustento de muitas famílias da cidade e das redondezas, onde a área rural ainda abriga uma boa parte da população.
- Salão Principal da Fazenda Boa Vista -

A fazenda dessas fotos do meu amigo Volnei, é a " Fazenda Boa Vista ", construída em meados de 1780, a fazenda era até então, uma grande produtora de anil, passando depois, já sob administração do seu primeiro  herdeiro, Luciano José de Almeida, a grande produtora de café, possuindo nessa ocasião três mil e novecentos alqueires geométricos, era necessário a mão de obra de mais de 1.000 escravos.
- Objetos que ficam no porão da fazenda -

Hoje, a Fazenda é um " Hotel Fazenda " que recebe hóspedes do mundo inteiro, que se encantam por sua beleza ímpar que leva a quem lá estiver a uma verdadeira viagem no tempo. Não se assuste se pelas terras da Boa Vista você se deparar com uma sinhazinha e sua mucama, rs.
- Vista da janela do Salão Principal da Fazenda -

A Fazenda Boa Vista vem sendo usada há muitos anos nas produções da Rede Globo, forma inúmeras novelas tais como: Sinha Moça,O Casarão, Dona Beija, Cabocla, filmes como o "Coronel e o Lobisomem "
dentre tantas outras produções.

- Muito linda , imponente -

E...
" Ladies And Gentlemens ",
Com vocês " Volnei Almeida " o Futuro " Barão de Araruna "...rs..

- Fonte de Pesquisa : Wikipédia- 

terça-feira, 5 de março de 2013

40 anos...

Foto By Volnei Almeida

Não me canso de dizer o quanto a rápida passagem do tempo mexe comigo. Quem me conhece com certeza já ouviu comentários meus a esse respeito. Ela exerce um certo fascínio, algumas vezes incomoda porque ele vai levando tudo e quando a gente vê já era, porque por mais incrível que pareça a gente nunca consegue acompanhar o tempo...

É inevitável não pensar mais uma vez na rápida passagem do tempo, no dia em que se comemora 40 anos...

Nasci no dia 25 de fevereiro de 1973, um domingo, as 08:40 da manhã, na Santa Casa de Misericórdia aqui de Barra Mansa. 

Desde pequena já trazia comigo as paixões que carrego até hoje, muito apegada a família, e as outras pessoas tais como amigos, eterna sonhadora,  apaixonada por música, e pelo mar...Desde criança trago comigo a incompreensão pelas coisas do mundo e por aquilo que por mais que eu tentasse entender eu não conseguia, deixei de ser criança muito cedo, e a adulta que vivia aqui dentro desabrochou  convivendo com as dificuldades enfrentadas pela minha família, o amor pelos pais e os outros dois irmãos menores, a tristeza de ter que ir morar em outra cidade deixando para trás os parentes maternos que eu tanto amava, e a saudade daqueles que eram tão importantes para mim.

Curioso é relembrar tantas coisas e ver que está tudo aqui ô, guardadinho, direitinho,e que quase nada foi esquecido,  na verdade não gostaria de guardar tantas coisas assim não, são gostos, sabores, cheiros, risos, choros, cores.... Graças a Deus cresci trazendo comigo o discernimento para saber separar o certo do errado, as coisas boas das coisas ruins, e acima de tudo um caráter transparente moldado pelos exemplos dados pelos meus pais e a simplicidade do meu tão amado e saudoso Vô Tatão.                                Porque será que as pessoas que amamos nos deixam tão cedo?
É uma pergunta que eu vivo me fazendo. Porque será que a vida é assim, tão efêmera, tão frágil, tão singular    e tão bela? Um sopro em uma manhã de sol radiante, um mar de ondas calmas e eternas. Infelizmente, a vida contemporânea abrevia os momentos bons, a gente deixa de dar um bom dia, de dar um abraço, deixamos de dizer as pessoas que amamos o quanto as amamos e o quanto elas são importantes para nós. Nos perdemos em coisas tão sem importância, mesquinharias, brigas por nada se comparadas diante da vida e da morte.

É bom recordar o passado. É bom ter comigo as tão boas e únicas lembranças de outrora.

Aos 40 anos refaço meu caminho. Percorro novamente as estradas pelas quais passei, os caminhos que trilhei, os atalhos que peguei, muitas vezes cheios de incerteza e medo e que por misericórdia de Deus me trouxeram mais uma vez a estrada principal.Revejo todos aqueles que estiveram comigo, aqueles que caminharam lado a lado, outros que por mim passaram ou eu por eles passei deixando apenas um breve adeus, certos de que ali na frente nos encontraríamos de novo. Caminhos repletos de pedras, obstáculos  sinuosos que atrasam a viagem, mas que de certa forma me tornam mais forte. Olho para os lados e vejo os que estão comigo, hoje tão poucos, mas tão amados que por eles eu vivo e continuo adiante nesse caminho que é a vida.

Mesmo passado do dia 25 de fevereiro, não poderia deixar de postar sobre os meus 40 anos, mas infelizmente apenas hoje consigo vir aqui e escrever.Foi um dia muito triste porque Deus em sua infinita bondade e sabedoria nos tirou uma pessoa que amávamos muito... Esperei tanto por essa data, fiz tantos planos, tive tantos sonhos,tantas esperanças que ao fazer os 40 anos renovo tudo isso: Os meus sonhos, os meus planos e as minhas esperanças!

" Uma vez que você tenha experimentado voar, você andará pela terra com os seus olhos voltados para o céu, pois lá você esteve e para lá você desejará voltar. "
- Leonardo Da Vinci -

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Saudade

Imagem Google

Ainda me surpreendo com a quantidade de datas comemorativas que se inventam por aí. Tem dia para tudo, é só a gente procurar o que se comemora no dia de hoje que a gente vai achar uma comemoração da qual nunca se ouviu falar. Bom, dessa vez a minha surpresa ficou no dia 30 de janeiro. Navegando em badalada rede social, descobri que nesse dia, comemora-se o " Dia da Saudade ".

Logo pensei: " Caramba tem Dia  da Saudade e eu não sabia? "


"Saudade " segundo o dicionário quer dizer: " Mistura dos sentimentos de perda, falta, distância e amor. A palavra vem do latim " solitas, solitatis " ( solidão), na forma arcaíca de " soedade, soidade e suidade e sob influência de "saúde" e "saudar". É uma das palavras mais presentes na poesia de amor da língua portuguesa e também na música popular. " Saudade " só é conhecida em galego e português, e é de difícil tradução.

A muito tempo atrás, estudando gramática na escola, descobri que a palavra saudade só existe em português, e na época nem dei importância alguma a essa informação. Os anos foram passando e se eu fosse me definir hoje acho que eu me chamaria "saudade". É na minha opinião, uma das mais lindas palavras da língua portuguesa, carregada de um sentimento tão grande, tão amplo, que se torna mesmo difícil de traduzir, de explicar. Em um dos episódios mais vergonhosos da História da Humanidade, os negros trazidos da África sofriam de Banzo, doença caracterizada pelo sentimento de melancolia, saudade e tristeza, em relação a terra natal e de aversão a privação da liberdade praticada com a população negra no Brasil, na época da Diáspora Africana.  

Não resistiam a saudade da sua terra e morriam.

Eu sinto saudades de tantas pessoas, e de tantas coisas...é impressionante como esse sentimento faz parte da minha vida, da minha alma. Sinto saudade daquilo que eu não conheço, como se faltasse algo aqui dentro, um vazio que eu não consigo preencher...Esses dias sonhei com a minha tão amada e saudosa Tia Neide, ela fazia um doce de cocô  delicioso, e no sonho ela estava fazendo o doce. Parecia tão  real, que senti aquele cheiro tão familiar, guardado lá nas entranhas do meu ser, blindado por tantas recordações, tantos momentos bons, risadas gostosas regadas com muito amor e carinho. Isso é saudade. Sentimento que doí, as vezes até machuca. Por outro lado, agradeço a Deus por sentir sim, tanta saudade, e trazer comigo tanto sentimento...

Sinal de que não estou passando por essa vida em vão.

E as datas comemorativas continuam: Hoje 14 de Fevereiro é o Dia da Amizade e o Dia dos Namorados lá nos EUA.



" O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo ".
- Mário Quintana - 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Galeria de Fotos do Relicário

Sempre fui  apaixonada por fotografias. Nunca tive aquela máquina fotográfica dos sonhos, tão pouco entendo " tecnicamente"de fotos.  Mas sei que para se tirar uma boa e bela foto, há de se ter uma boa dose de sensibilidade, acompanhada de um bom gosto apurado, e uma capacidade de " viajar " dentro do que for ser fotografado, como se fôssemos transportados para aquela imagem e de lá não quizêssemos mais sair...Eu e minhas viagens, hoje aqui no Relicário, inauguramos a nossa " Galeria de Fotos ", que estará sempre nos presenteando com as obras de arte do meu grande e querido amigo     " Volnei Almeida "

Hoje ele nos apresenta uma bela praia da Ilha Grande, a maior das 365 ilhas do litoral da Baía de Angra dos Reis, aqui no nosso litoral sul do estado do Rio de Janeiro
E como tudo que me é raro, caro, e especial, aqui no Relicário, deixo para vocês as belas fotos do meu amigo Volnei Almeida.
  


Praia do Aventureiro 


Praia do Aventureiro



Praia do Aventureiro

domingo, 30 de dezembro de 2012

Antigo


Às vésperas do último dia do ano é impossível não fazer  dentro de nós mesmos aquela velha retrospectiva não é  mesmo? Eu especialmente,  reviro o meu baú de recordações e fico remoendo o passado, o que eu fiz ou deixei de fazer, sinto saudades daquelas pessoas que passaram por mim e que de alguma maneira já não estão mais aqui, recordo-me de momentos especiais dos quais seria impossível esquecer e assim me preparo para mais um ano que está ali ó, atrás da porta.

Dia desses assisti pela tv o especial de fim de ano do Roberto Carlos. Não posso deixar de mencionar que passei a gostar do Roberto Carlos há pouco tempo, cresci ouvindo suas músicas, mais fui tocada por elas já adulta, mantinha uma certa distância e me recusava sequer a ouví-lo, tudo isso porque suas músicas me emocionavam demais. Esse ano foi por acaso que ao ligar a tv o especial estava começando, e lá fiquei assistindo o "Rei " e todas as suas "emoções".  Me espanta reconhecer que de fato ele tem muitos fãs, fãs de verdade que tiveram suas vidas marcadas pela trilha sonora composta e cantada por ele, não importa  que suas músicas sejam antigas, ou sejam atuais, fato é que quanto mais velho ele fica, melhor ele fica e essa constatação me fez recordar de um senhor que conheci há alguns anos... 

Pouco sei da sua vida, nos vimos algumas poucas vezes ao sermos vizinhos de uma casa na praia. Nos encontrávamos todas as manhãs enquanto eu ia muito cedo tomar meu banho de mar e ele fazer suas caminhadas. No auge dos seus 75 anos, era um senhor vigoroso, forte e muito bem disposto, que adorava conversar e nos presentear com a sua sabedoria de vida. Eu adorava conversar com ele e era com alegria que o recebia quando ele se sentava ao meu lado na areia. Em uma dessas conversas ele me perguntou se eu sabia a diferença do "velho" e do "antigo", eu disse que não, então ele me disse: Tudo que é velho a gente quer se desfazer jogar fora, não é mesmo? Já o antigo é diferente. O antigo tem  algum valor pra gente, muitas vezes valor sentimental, marcado por uma ocasião ou uma canção, uma pessoa especial ou um lugar, situações que nos fazem de alguma forma nos emocionar...do antigo a gente não se desfaz, porque mesmo sendo já antigo ele tem seu lugar guardado dentro dos nossos corações e por sem assim, quanto mais antigo é, melhor fica. 

Ao reler essas palavras paro aqui e penso: Gente que conexão louca essa que eu fiz! Mas vai saber o porque eu fui lembrar desse senhor que eu não vejo há tantos anos ao ver o especial do Roberto Carlos?  Ele já era antigo, talvez seja por isso que trago a sua lembrança guardada com tanto carinho...

E daqui a pouco é Ano Novo.

Vou tirar as sandálias velhas e já cansadas maltratadas pela poeira e pelas pedras do caminho. Descansar meus pés cansados e por vezes machucados. Me refazer após enfrentar tantos obstáculos, porque daqui a pouco começa tudo novamente: É fazer a curva na estrada e seguir adiante.

" Feliz Ano Novo" !


" Uma pilha de pedras deixa de ser uma pilha de pedras no momento em que o homem  a contempla, trazendo dentro de si a imagem deuma catedral"
- Saint - Exupéry -







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